Os órgãos variam imensamente em tamanho, indo desde uma pequena caixa até a monumentais caixas do tamanho de casas de 5 andares. Encontram-se sobretudos nas igrejas, mas também em salas de concertos, escolas e casas particulares.
Os executantes deste instrumento chamam-se organistas e seus construtores, organeiros.
Partes constituintes
O órgão é constituído por 4 partes:
- Pneumática
- Tubaria
- Mecânica
- Caixa
Pneumática
A pneumática é o conjunto formado pelos dispositivos de captação, retenção e envio do ar comprimido à tubaria, bem como a regulação da sua pressão. Os seus elementos são:
- Ventilador
- Fole
- Contra-fole
- Cainais de Vento
Tubaria
A tubaria, também chamada canaria, é o somatório de todos os tubos do órgão, encarregues da emissão sonora.
Os seus elementos são:
Tubo
O tubo é o elemento responsável pela emissão sonora, à passagem do ar através do seu corpo, funcionando como qualquer instrumento de sopro. Quando o executante prime uma tecla [estando aberto um dos registos], o ar comprimido é libertado e conduzido para atravessar o tubo determinado, emitindo a nota correspondente.
Os tubos dividem-se em duas grandes espécies: os tubos labiais e os tubos palhetados (ou de palheta, ou de lingueta).
Registo
O registo (ou registro (Brasil) ou jogo) é um conjunto (ou série) de tubos de uma mesma fila, os quais têm o mesmo timbre, porque os tubos de uma mesma fila (registo) terem todos características comuns, tais como:
- o material de que são compostos: ligas metálicas de estanho, chumbo, cobre; ou então madeira), que pode ser de diferentes tipos: castanho, carvalho, pereira, etc.;
- o formato: tubo cilíndrico, cónico, cónico invertido, paralelipipédico;
- a medida: termo organístico que se refere à relação entre a altura e o diâmetro;
- a entoação: termo organístico que se refere ao ataque, claridade, presença, e outros vectores muito precisos da qualidade sonora ou timbre.
A conjugação destas características dão origem a vários tipos de registos, classificáveis de acordo com uma identificação das suas propriedades acústicas, pois cada qual apresenta características específicas de altura, intensidade e timbre. Assim temos:
- Flautados ou Principais: sonoridade mais robusta do órgao
- Flautas: sonoridade aveludada
- Cordas: sonoridade quente
- Híbridos: sonoridade mista
- Oscilantes: com batimentos
- Mutações: correspondem a notas de intervalos diferentes em relação à nota real que está a ser tocada
- Compostos: correspondem a mais do que uma fila de tubos
- Misturas: correspondem a mais do que uma fila de tubos
- Palhetados: de palheta
Mecânica
A mecânica é o conjunto dos mecanismos que têm por fim a emissão sonora de determinado tubo ou conjuntos deles. Os seus elementos são:
Registo
Também se designa de registos os tirantes, existente na consola, que habilitam ou desabilitam a passagem do ar para a respectiva fila de tubos, dado que os tubos se encontram dispostos no someiro de modo a os seus pés poderem ser tapados ou abertos por uma régua (tábua) de registo que o tirante da consola accionada.
Os tirantes aparecem, na consola, sob a forma de puxadores ou alavancas (para os pés), no caso de um funcionamento de tracção mecânica. No caso das tracções pneumática e eléctrica, os registos podem ser accionados por interruptores, sob a forma de plaquetas ou botões.

Consola com puxadores - típico dos órgãos de construção francesa
Teclados
Num órgão de vários teclados, cada qual encontra-se afecto a uma secção particular do instrumento com características específicas de intensidade, timbre, projecção e com uma designação particular. Assim temos:
- Grande-Órgão ou Principal: trata-se da secçao mais nutrida e mais sonora do instrumento;
- Órgão de Ecos: trata-se de uma secção cujos tubos por norma se encontram encerrados dentro de uma caixa, passível de ser aberta ou fechada através de mecanismo próprio, vulgarmente sob a forma de pedal;
- Positivo: secção com registos mais agudos e perceptíveis, normalmente prestando-se bem para a prática de música de câmara (tipo baixo contínuo), vai buscar o seu nome aos órgãos positivos construídos para o mesmo efeito;
- Postivo de Peito: se se encontra por baixo do grande órgão;
- Positivo de Costas: se se encontra nas costas do organista;
- Recitativo: detendo vários registos solistas;
- Expressivo: cujos tubos se encontram encerrados em caixa de Expressão, fechada por todos os lados, menos por um que possui persianas, cuja abertura é controlada a partir do pedal correspondente (Pedal de Expressão);
- Bombarda: detendo apenas registos palhetados;
- Em chamada: detendo registos palhetados em chamada;
- Pedaleira: como um teclado para os pés, esta secçao possui os registos mais graves e susceptíveis de dar a base harmónica ao edifício sonoro do órgão.
Consola
A consola é a "mesa de comando" do órgão na qual se materializam todos os dispositivos manipuláveis pelo executante (o organista), o que compreende os teclados para as mãos (manuais) e para os pés (pedaleira), os registos e os vários pedais e pedaletes. A consola pode encontrar-se inclusa no corpo do próprio instrumento ou então separada deste.
Caixa
A caixa é uma estrutura, normalmente em madeira, que encerra todo o material anterior. Tem por função fundir os sons e projectá-los para o exterior, além de uma função prática de protecção da mecânica e da tubaria. Normalmente é construída para se harmonizar esteticamente com o espaço arquitectónico onde se insere, aplicando os organeiros para isso no seu design os mesmos elementos estilísticos presentes no local.
Evolução
O órgão Hammond desenvolvido nos anos 30 pretendia inicialmente imitar o som do órgão de tubos, mas ao desenvolver um timbre próprio, tornou-se objecto de culto durante muitos anos. O modelo B3 é um importante instrumento no jazz, sendo mesmo o instrumento central nosoul jazz.
Entre 1940 e 1970 foram desenvolvidos vários modelos electrónicos destinados ao entretenimento caseiro. Tornando possível a uma só pessoa produzir caseiramente o som de um grupo de vários instrumentos, estes instrumentos electrónicos começaram a incluir padrões automáticos como ostinatos rítmicos, acompanhamentos diversos baseados nos acordes e leitores de fitas magnéticas.
Vocacionados à imitação dos timbres de outros instrumentos como o trompete e a marimba, esses sintetizadores afastaram-se para sempre do seu desígnio inicial de imitador do órgão de tubos para se tornarem sintetizadores de quaisquer outros instrumentos, sons ou ritmos, através de imitação do padrão das ondas sonoras destes.
Nos anos 60 e 70 um tipo de sintetizador portátil chamado “combo” tornou-se muito popular especialmente entre as bandas rock e pop dessa altura como os The Doors e os Iron Butterfly. Os mais populares eram fabricados pela Farfisa e pela Vox.
Pelo que as inovações tecnológicas que o órgãos sofreu a partir do momento que incorporou componentes electrónicas, desviaram o órgão da sua linha clássica, pois este deixou de ser um instrumento acústico e criaram uma diferenciação entre o chamado órgão electrónico e o órgão propriamente dito: o órgão de tubos.